segunda-feira, 11 de outubro de 2010
24 de junho, 6h50
Uma cena comovente no cinema nunca me comoveu, uma canção intensa nunca me emocionou e no amor eu sempre acreditei pela metade, considerando que era impossível conhecê-lo de verdade. Mas eu nunca fui cínica, isso não. Simplesmente ninguém nunca me ensinou a expressar o amor que eu guardava dentro de mim, escondido, fechado para qualquer um. Mas ele estava em algum lugar, era só desentocá-lo... E eu procurei por ele projetando o meu desejo em um universo do qual o amor estava banido, e ninguém, ninguém mesmo, barrou minha passagem dizendo: "Não, menina, daqui não se pode passar." E meu coração ficou trancafiado em uma cela gelada, e era perigoso destruí-la com um só golpe: o coração ficaria danificado para sempre.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Feio, Imoral e Ilegal
Até hoje me pergunto como é que isso acontece, e de repente, me pego respondendo a minha pergunta com um "eu também não". Mas o fato é que eu gosto de você. Maldito, gosto de você. Da pessoa que você é, por pior que seja. Irritante, petulante, mas me cativa... me alivia, conforta e por hora, me arranca boas gargalhadas. Junto à você me torno maldita também, e é engraçado ver minha auréola tornando-se chifre com a sua ajuda. Amo. Odeio. Amo e odeio de novo, e de novo, e me pego pensando que nunca odiei ninguém de um jeito tão bonito. Tomei nota de que o amor é feio, imoral e ilegal. O que vale mesmo é o ódio. A vontade de te matar com o abraço mais apertado do mundo, até ver seus olhos saltando da face e rolando perto dos meus pés. Vontade de te deixar surdo de tanto cantar aquela música ao pé do teu ouvido. Aquela música, sabe aquela? Então! Vontade de te prender ao pé da minha cama, pra que você não possa sair por aí afim de odiar outras pessoas. Mas aí paro de me render às minhas vontades e te deixo livre por aí. Não pra que você odeie outras pessoas, nem porque não serei páreo pra prender todo o teu ódio e atenção só em mim, mas porque sou minha e você é seu. Não ligo se você se for e encontrar novos amores. Todos temos um novo. Todos os dias nos apaixonamos por coisas diferentes. Te deixo livre por aí, porque não importa quantos novos amores você encontre pra amar, vai sempre se lembrar de me odiar. E vai voltar pra mim. Voltar pra morrer abraçado, voltar pra morrer surdo. E vamos continuar brincando de nos odiar. Odiando como nunca ninguém poderia.
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