segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Loly

Só com um olho aberto, observo o sol. Os sons chegam suaves aos meus ouvidos. Os barcos dos pescadores estão começando a atracar depois de uma noite no mar, uma viagem no desconhecido. Uma lágrima escorre pelo meu rosto, sorrio quando sua mão roça minhas costas nuas e ele me beija a nuca. Olho pra ele. Olho e entendo, agora sei. Concluí minha viagem dentro do bosque, consegui escapar da torre do orco, das garras do anjo tentador e de seus diabos, fugi do monstro andrógino e  acabei no castelo do príncipe árabe, que esperou por mim sentado em almofadas macias e aveludadas. Me fez despir minhas vestes gastas e me deu roupas de princesa. Chamou as criadas e mandou que me penteassem, depois beijou-me na testa e disse que ia me olhar enquanto eu dormia. Depois de uma noite, fizemos amor, e quando voltei pra casa vi meus cabelos ainda brilhantes e a maquiagem intacta. Uma princesa, como minha mãe sempre disse, tão linda que até os sonhos querem roubá-la.

24 de junho, 6h50

Uma cena comovente no cinema nunca me comoveu, uma canção intensa nunca me emocionou e no amor eu sempre acreditei pela metade, considerando que era impossível conhecê-lo de verdade. Mas eu nunca fui cínica, isso não. Simplesmente ninguém nunca me ensinou a expressar o amor que eu guardava dentro de mim, escondido, fechado para qualquer um. Mas ele estava em algum lugar, era só desentocá-lo... E eu procurei por ele projetando o meu desejo em um universo do qual o amor estava banido, e ninguém, ninguém mesmo, barrou minha passagem dizendo: "Não, menina, daqui não se pode passar." E meu coração ficou trancafiado em uma cela gelada, e era perigoso destruí-la com um só golpe: o coração ficaria danificado para sempre.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Feio, Imoral e Ilegal

Até hoje me pergunto como é que isso acontece, e de repente, me pego respondendo a minha pergunta com um "eu também não". Mas o fato é que eu gosto de você. Maldito, gosto de você.  Da pessoa que você é, por pior que seja. Irritante, petulante, mas me cativa... me alivia, conforta e por hora, me arranca boas gargalhadas. Junto à você me torno maldita também, e é engraçado ver minha auréola tornando-se chifre com a sua ajuda. Amo. Odeio. Amo e odeio de novo, e de novo, e me pego pensando que nunca odiei ninguém de um  jeito tão bonito. Tomei nota de que o amor é feio, imoral e ilegal. O que vale mesmo é o ódio. A vontade de te matar com o abraço mais apertado do mundo, até ver seus olhos saltando da face e rolando perto dos meus pés. Vontade de te deixar surdo de tanto cantar aquela música ao pé do teu ouvido. Aquela música, sabe aquela? Então! Vontade de te prender ao pé da minha cama, pra que você não possa sair por aí afim de odiar outras pessoas. Mas aí paro de me render às minhas vontades e te deixo livre por aí. Não pra que você odeie outras pessoas, nem porque não serei páreo pra prender todo o teu ódio e atenção só em mim, mas porque sou minha e você é seu. Não ligo se você se for e encontrar novos amores. Todos temos um novo. Todos os dias nos apaixonamos por coisas diferentes. Te deixo livre por aí, porque não importa quantos novos amores você encontre pra amar, vai sempre se lembrar de me odiar. E vai voltar pra mim. Voltar pra morrer abraçado, voltar pra morrer surdo. E vamos continuar brincando de nos odiar. Odiando como nunca ninguém poderia.