quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Marasmo

O mundo vive embreagado no tédio, mas a verdade é que ninguém quer uma parada brusca, uma guinada, um sobressalto. Ninguém quer trocar um problema por outro, um prazer por outro, um problema por prazer, um prazer por um problema. Ninguém quer quebrar o ciclo, nem mudar de vida, nem ser nada maior. Ninguém quer sentir o impacto. É aí que a gente se aguenta.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Loly

Só com um olho aberto, observo o sol. Os sons chegam suaves aos meus ouvidos. Os barcos dos pescadores estão começando a atracar depois de uma noite no mar, uma viagem no desconhecido. Uma lágrima escorre pelo meu rosto, sorrio quando sua mão roça minhas costas nuas e ele me beija a nuca. Olho pra ele. Olho e entendo, agora sei. Concluí minha viagem dentro do bosque, consegui escapar da torre do orco, das garras do anjo tentador e de seus diabos, fugi do monstro andrógino e  acabei no castelo do príncipe árabe, que esperou por mim sentado em almofadas macias e aveludadas. Me fez despir minhas vestes gastas e me deu roupas de princesa. Chamou as criadas e mandou que me penteassem, depois beijou-me na testa e disse que ia me olhar enquanto eu dormia. Depois de uma noite, fizemos amor, e quando voltei pra casa vi meus cabelos ainda brilhantes e a maquiagem intacta. Uma princesa, como minha mãe sempre disse, tão linda que até os sonhos querem roubá-la.

24 de junho, 6h50

Uma cena comovente no cinema nunca me comoveu, uma canção intensa nunca me emocionou e no amor eu sempre acreditei pela metade, considerando que era impossível conhecê-lo de verdade. Mas eu nunca fui cínica, isso não. Simplesmente ninguém nunca me ensinou a expressar o amor que eu guardava dentro de mim, escondido, fechado para qualquer um. Mas ele estava em algum lugar, era só desentocá-lo... E eu procurei por ele projetando o meu desejo em um universo do qual o amor estava banido, e ninguém, ninguém mesmo, barrou minha passagem dizendo: "Não, menina, daqui não se pode passar." E meu coração ficou trancafiado em uma cela gelada, e era perigoso destruí-la com um só golpe: o coração ficaria danificado para sempre.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Feio, Imoral e Ilegal

Até hoje me pergunto como é que isso acontece, e de repente, me pego respondendo a minha pergunta com um "eu também não". Mas o fato é que eu gosto de você. Maldito, gosto de você.  Da pessoa que você é, por pior que seja. Irritante, petulante, mas me cativa... me alivia, conforta e por hora, me arranca boas gargalhadas. Junto à você me torno maldita também, e é engraçado ver minha auréola tornando-se chifre com a sua ajuda. Amo. Odeio. Amo e odeio de novo, e de novo, e me pego pensando que nunca odiei ninguém de um  jeito tão bonito. Tomei nota de que o amor é feio, imoral e ilegal. O que vale mesmo é o ódio. A vontade de te matar com o abraço mais apertado do mundo, até ver seus olhos saltando da face e rolando perto dos meus pés. Vontade de te deixar surdo de tanto cantar aquela música ao pé do teu ouvido. Aquela música, sabe aquela? Então! Vontade de te prender ao pé da minha cama, pra que você não possa sair por aí afim de odiar outras pessoas. Mas aí paro de me render às minhas vontades e te deixo livre por aí. Não pra que você odeie outras pessoas, nem porque não serei páreo pra prender todo o teu ódio e atenção só em mim, mas porque sou minha e você é seu. Não ligo se você se for e encontrar novos amores. Todos temos um novo. Todos os dias nos apaixonamos por coisas diferentes. Te deixo livre por aí, porque não importa quantos novos amores você encontre pra amar, vai sempre se lembrar de me odiar. E vai voltar pra mim. Voltar pra morrer abraçado, voltar pra morrer surdo. E vamos continuar brincando de nos odiar. Odiando como nunca ninguém poderia.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nós

Ela me conta do namorado, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ela se refere á uma amiga do passado, e fala “ah, enjoei, ela era meio tosca” e olha pra mim com saudade. Ela também ri quando eu falo algo sobre um carinha, algo do tipo “ah, ele não entendeu nada”, e olho pra ela sabendo que ela também não entende, mas pelo menos ela não vai embora e me largar falando sozinha. Ou vai, mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Mentira, eu tenho, e muito! Mas ainda assim, somos pra sempre! Ainda que ela case, more na Bósnia, são quase 3 anos. Somos pra sempre. Ela conta das fotos que andou tirando, eu do novo seriado que tô vendo. Os mesmos há mil anos. Se ela me corta, é como se a frase que eu fosse falar fosse a mesma que ela. São quase 3 anos. É isso. Ela me viu de cabelo curto, natural, logo depois longo e curto de novo. Eu lembro dela de cabelo vermelho e alargador no segundo furo. Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo, vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo, não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores, porque estrago antes. Mas minha melhor amiga é meu único amor. O único que consegui. Porque ela sempre volta. E meu coração fica calmo. E ela vai comigo na pizzaria, e todos os meus amigos novos adoram ela, porque ela é naturalmente engraçada e gente boa. E todo mundo adora minha melhor amiga. E eu amo ela. E sempre acabamos suspirando aliviadas "alguém é bobo como eu, alguém tem esse humor" e mais uma vez rimos da piada que inventamos, das músicas idiotas que não saem da nossa cabeça, "jai ho". E esse é meu presente dessa fase tão terrível de gente indo embora. Quem tem que ficar, fica. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sempre tem a primeira Vez

Durante toda a minha vida, sempre escrevi sobre caras que me magoavam, ou me deixavam com cara de boba na frente de todo mundo. Nunca sobre você. Você que sempre esteve aqui, me mimando, ouvindo, e atendendo aos mais grotescos dos meus pedidos, como "Meu namorado foi viajar, pode me fazer companhia?". Um outro alguém no seu lugar me mandaria à merda com um pedido desses. Você não. Você me fazia companhia. Quantas vezes eu chorei no seu ombro, desabafando sobre a decepção que tivera com "aquele cara que eu tava ficando", por ele não estar me fazendo feliz, mesmo sabendo que você daria qualquer coisa pra estar no lugar dele e fazer isso. Quantas vezes deixei de atender suas ligações e ainda te disse que só estava "enjoada da sua voz". Eu lembro quando em festas, eu dispensava caras, pra dançar só com você. Lá ia eu com cara amarrada fazer teu gosto por mera insistência. O tempo passou e você encontrou alguém que não enjoa da sua voz. Agora vejo que você se foi. Te perdi pro tempo, pras outras garotas. Você não me liga mais, me ignora e me deixa sozinha. Hoje você é só mais um cara sobre quem eu escrevo, e que mesmo depois que eu insistisse muito, não dançaria comigo nem com cara amarrada.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Entre os Vãos

Dizem que a verdade não importa, e sim o que cada um quer ver. Algumas pessoas precisam dar um passo atrás, para descobrirem tudo a sua volta. Outras pessoas precisam ver que suas mentiras podem traí-las. Algumas pessoas precisam enxergar que tinham tudo, o tempo todo. E finalmente há aquelas pessoas, que precisam fugir de tudo para não olhar a si mesmas. E quanto a mim, vejo tudo mais claro agora.